As vantagens de ser quem você é

Quem leu “As vantagens de ser invisível”, provavelmente conheceu Charlie, um adolescente incompreendido, que possui alguns desafios pra enfrentar: o recente suicídio do seu melhor amigo, dificuldades escolares, seu primeiro amor e suas próprias questões existenciais.

Durante o decorrer do livro, Charlie aprende sobre amizade; como enfrentar situações novas e como conviver com pessoas totalmente diferentes dele. E é nisso que o livro acerta. O processo de mudança e aprendizado do personagem principal é incrível.

O autor Stephen Chbosky aborda temas polêmicos – homossexualidade, gravidez na adolescência, violência doméstica, drogas e bebidas –, mas o modo que os personagens enfrentam as situações que lhes são apresentadas é o que marca o livro. Fazendo com que, por fim, eles mudem seus próprios conceitos.

Chorei e ri lendo o livro algumas vezes. A história é sobre um grupo formado pelos “perdedores” de um High School, mas o enredo é bem mais do que isso. Trata-se de uma trama sobre pessoas que não são comuns e que não se sentem pertencentes a algo. É como eu, você e todos nós da comunidade LGBTI nos sentimos em relação a tudo que enfrentamos.

Enquanto lia, voltei aos meus 15 anos e me enxerguei nas páginas daquele livro. Embora o personagem principal não seja gay, ele me fez reviver momentos e situações pelas quais já passei. Naquela idade o futuro parecia ser assustador: minha família cristã conservadora e eu não sabia o que estava acontecendo comigo. Era como estar em um labirinto sem saída. Eu me sentia tão perdido quanto aqueles personagens.

Às vezes percebo que sou o Charlie até hoje. Ele se isola em seus livros para escapar da humilhação e estresse que sofre com os valentões. E isso é o que todos fazemos, de alguma forma. Têm os que se isolam praticando bullying, os que trabalham bastante para não ter que lidar com a família, os que usam drogas para não ter com o que lidar.

Quando somos adolescentes e lidamos com problemas adultos, queremos crescer logo, sair de casa e ter nossa independência financeira, imaginando que os problemas vão sumir ou que finalmente saberemos como resolvê-los. Mas a realidade não é tão perfeita assim.

Como se já não bastasse isso tudo, entrei na puberdade me achando feio. E a forma que encontrei para lidar com tudo isso foi investir na minha inteligência, para garantir meu sucesso social. Eu era o menino esperto, o que tirava notas altas, o líder dos trabalhos escolares (o que os fazia, na verdade). Mas tudo só me fazia pensar: “não sou bonito, não jogo bola, não falo de mulheres, mas sou bom aluno.”. E qual a relação entre o livro, ser gay, autoconfiança, beleza e estudar? Sempre que alguém me chamava de gordo, feio ou questionava a minha sexualidade eu usava os recursos que me cabiam como moeda de troca .

O que eu mais queria? O amor de todo mundo. Eu queria ser reconhecido, que outras qualidades minhas APAGASSEM a imagem física de que eu não era bem visto, seja pela aparência ou pela minha homossexualidade retraída. Eu me sentia sozinho, hoje já que consigo ver que não estou.

E verdade seja dita, todos nós lidamos com problemas assim. Porque é difícil viver em mundo que privilegia a casca, a aparência e despreza tudo o que não se encaixa! Sobra no fim duas opções: Mudar a sim mesmo ou Mudar o mundo.

O caminho solitário é mudar a pessoa que você é e atender às exigências da sociedade. O caminho mais curto é a rendição. O caminho social é a gente se unir e criar um mundo onde isso não seja importante, seja só um detalhe. “Ah, Fulano é gay? Ok. Ciclano é bonito? Ok. Beltrano é inteligente? Ok também.”. E onde ser uma boa pessoa, bom cidadão, gentil, correto e humano sejam valores maiores do que ser bela, recatada e do lar. O caminho ideal é a gente ser feliz como é e, se não for, buscar um resultado que nos deixe felizes .

Porque quem não tem autoconfiança, não se aceita ou é rejeitado, tem grandes chances de desenvolver problemas maiores como a falta de auto-estima, rancor, inveja, ou pior: a criação de mentiras para si mesmo e vestir um personagem que amplia suas qualidades para minimizar sua insegurança. E de tanto investir nesse personagem acabar acreditando nele.

É contra esses monstros interiores que lutei e luto até hoje. São esses monstros que nos irritam quando os vemos nos outros.

Então, leia o livro ou assista o filme para ver melhor como você evoluiu, para entender melhor pelo que você passou e para, finalmente, conseguir enxergar as vantagens de ser quem você realmente é.

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As vantagens de ser quem você é
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Douglas Amundsen

Douglas é profissional da saúde, um sonhador atemporal, ouvinte compulsivo, consumidor das pílulas do Doutor Caramujo, apaixonado por cães e textos.

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1 Resultado

  1. Bruna disse:

    Lindo texto! Parabeens!!

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